As greves, o Mensalão e o Facebook

Por: José Aparecido dos Santos (Cido) 

 
A era da informação nos permite saber de quase tudo o que acontece no mundo com uma velocidade sem precedentes na história humana. Tudo isto através do que lemos e vemos nas redes sociais, blogs, jornais, revistas, tv, mensagens de celular, e até do  que ouvimos sem querer, ou querendo – como acontece na maioria das vezes –, das conversas dos outros nos trens e ônibus. Por outro lado, este sem número de informações também produz confusão, quando não apatia nas pessoas diante de tantas novas. Especificamente sobre o cenário político, são tantos escândalos e denúncias que o cidadão reage, de forma confusa em seus sentimentos e opiniões, não conseguindo, na maioria das vezes, estabelecer qualquer relação com seu cotidiano. Éassustador, mas convenhamos, quem vai conseguir pensar que tenha algo a ver o voto de um Ministro do Supremo Tribunal Federal, que faz as vezes de advogado de defesa de um réu acusado de inúmeros crimes contra o patrimônio público, com o angustiante atraso em liberar o corpo de um ente querido seu, por parte dos funcionários do IML que estão em greve.

No dia 2 de agosto teve início no STF o julgamento de uma série de pessoas acusadas de fazerem parte de um enorme Esquema de compra de votos de parlamentares durante o governo Lula. O ministro Ricardo Lewandowski votou pela absolvição de João Paulo Cunha, ex-deputado (PT SP), candidato a prefeito nas eleições municipais em Osasco. Lewandowski foi indicado pelo ex-presidente Lula. Além de não ser grande surpresa tal posição, ainda teremos votos de outros ministros intimamente ligados ao Partido dos Trabalhadores, entre eles Dias Toffoli que já foi advogado do partido e diretamente ligado a José Dirceu, acusado de ser o mentor do esquema. Mas o que teria a ver a onda de greve deflagada em vários setores, o corpo preso no IML, o voto do ministro e meu perfil no Facebook? Muito, muito mesmo.

Um dia após o voto o ministro declarou: “Eu acho que o juiz não deve ter medo das críticas”, referindo –se às críticas de alguns setores da imprensa mas, principalmente, à enxurrada de manifestações que se deram através da internet. Isto demonstra que muita gente está prestando atenção no que está acontecendo. Que muitos conseguem processar estas informações e se manifestam repudiando e questionado a posição de determinadas autoridades. Situação pouco comum, até então. É justamente aí que entram em cena os assessores de palco, responsáveis por direcionar os holofotes em um outro sentido.

Não é novidade para ninguém que as lideranças sindicais estão ligadas ao Partido dos Trabalhadores. Foram inúmeros os movimentos grevistas no último mês, em vários setores, gerando um verdadeiro caos à medida em que o momento mais crítico do julgamento vai se aproximando. Aeroportos, Anvisa, polícia civil, servidores, professores e tantos quantos forem necessários para que a atenção do cidadão se volte, se não para as novas notícias, para os problemas que lhe afetam diretamente. No final, novamente quem paga as contas  é o cidadão. Nos sentimos impotentes quando em 2006 o crime organizado parou São Paulo em ataques contra a PM, em retaliação à decisão do governo do estado de desmoronar a articulação da facção criminosa colocando seus líderes em presídios de segurança máxima. Novamente nos encontramos em uma situação muito parecida, em que supostos líderes de um dos maiores esquemas de currupção já denunciado na história do nosso país, correm o risco de serem punidos, um pequeno risco, diga-se de passagem, se considerarmos o retrospecto de tais julgamentos em nosso país e, principalmente o compromentimento político e ideológico daqueles que os julgam. Nos vemos novamente reféns de outro movimento criminoso, que estabelece o caos, não mais em um estado, mas em todo o país. Exercendo pressão sobre as autoridades, tentando influenciar no julgamento, a despeito das reivindicações dos trabalhadores, que se tornam meras moedas de troca nas mesas de negociação.

 Em uma investigação criminosa considera-se o modus operandi, ou seja, a forma de agir do criminoso ou do grupo, para que se possa estabelecer sua relação com outros possíveis crimes. Penso que isto não deveria ser descartado, tamanha a semelhança na forma de agir dos dois grupos acima citados. Estabelece-se o caos e o terror sobre a população na tentativa de determinar as decisões das autoridades no que diz respeito ao julgamento e tratamento dados aos seus líderes.
———————————–
Luciano Ferrari
http://simbolodopeixe.blogspot.com
———————————–