Em caso de ARREBATAMENTO….

Hermes C. Fernandes

“Em caso de arrebatamento, este carro vai ficar desgovernado”. Esta frase é encontrada adesivada em muitos automóveis em nossas cidades. Para os não-evangélicos não faz o menor sentido. Mas para muitos os evangélicos esta frase denota a crença na doutrina do arrebatamento secreto, defendida pelo sistema dispensacionalista de interpretação bíblica.

Segundo este sistema, a volta de Cristo seria dividida em duas fases, a primeira seria secreta e destinada unicamente aos crentes, enquanto a segunda seria pública e aconteceria sete anos depois dos crentes serem arrebatados e levados para o céu.

Os mais antigos se lembram de um hino cujo título era “O Rei está voltando”. Entre suas estrofes, se dizia que o mercado ficaria vazio (e não seria pela alta dos preços!), os aviões cairiam pela ausência súbita dos pilotos. Enfim, o mundo ficaria em polvorosa, e a mídia não se ocuparia com outra notícia que não fosse o desaparecimento de milhões de crentes pelo mundo a fora. Alguns defensores das teorias de conspiração afirmam que a mídia reportaria o desaparecimento súbito de milhões de crentes como um caso de abdução em massa promovida por discos voadores (sic).

Cresci ouvindo isso. Ficava atormentado quando meus pais tocavam na vitrola o disco “A última trombeta”.

Depois de crescidinho, deparei-me com outros sistemas de interpretação, e mesmo formado em Teologia, já tendo dado aula de Escatologia em um seminário, decidi rever meus conceitos.

Dei-me conta que a doutrina do arrebatamento secreto não consta das Escrituras, e foi inventada há pouco mais de duzentos anos, por um inglês chamado John Nelson Darby (1800-1882), e tornando-se febre entre os cristãos evangélicos por causa dos comentários de rodapé da Bíblia de Scofield. Portanto, é a mais recente linha de interpretação da escatologia bíblica. Mais tarde, descobri que tal interpretação já havia sido seminalmente engendrada trezentos anos antes pelo jesuíta espanhol Franscisco Ribera (1537-1591). Por quase três séculos, tal teoria ficou confinada à Igreja Católica Romana, até que, em 1826, Samuel R. Maitland (1792-1866), que era bibliotecário de Canterbury, publicou um panfleto em que promovia a idéia de Ribera.

Mas o que mais me incomodou com esta doutrina não é sua origem, mas os seus efeitos colaterais. Até o seu surgimento, os cristãos estavam engajados na transformação do mundo. Grandes nomes da ciência eram cristãos devotos. Universidades como Havard, Princeton, Oxford, foram fundadas sob a égide dos ideais do Reino de Deus. O surgimento do Dispensacionalismo alimentou o processo de secularismo, fazendo com que os cristãos recuassem, e cedessem espaço aos céticos.

Antes fosse o carro ou o avião que ficasse desgovernado em caso de arrebatamento. Em vez disso, o que ficou desgovernado foi o Mundo. A Igreja deixou de ser o sal da terra, a luz do mundo, para tornar-se numa sub-cultura, num gueto religioso. O que muitos cristãos contemporâneos parecem ignorar é que cada passo que a igreja dá pra trás, é espaço que ela cede a Satanás. Não seria esta uma maneira de “dar lugar ao diabo” (Ef.4:27)?

Se antes a Ciência era praticada por cristãos convictos, hoje está nas mãos dos ateus. Pra quê fazer ciência, se o mundo está prestes a acabar? Por que nos envolver com questãos como preservação ambiental, justiça social, ética, se as coisas têm mesmo que piorar para apressar a volta iminente de Jesus? De onde tiraram esta conclusão, se “a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”(Pv.4:18)?

Recuso-me a crer que Cristo virá ao encontro de uma igreja acovardada, que não terá concluído a Grande Comissão, tampouco terá sido luz do mundo e sal da terra (Mt.5:14). Recuso-me a crer que o mesmo Jesus que pediu ao Pai para que não nos tirasse do mundo, agora mudou de idéia e vem para nos raptar (Jo.17:15).

A febre dispensacionalista alcançou um novo apogeu recentemente com o lançamento da série “Deixados para trás”, de Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins (Acho que a série deveria se chamar “Passados para trás”).

Pregadores bradam de seus púlpitos: “Somos a última geração! A geração do arrebatamento!” Mas se contradizem quando gastam milhões na construção de catedrais suntuosas. Imagino o que pensam nossos filhos quando afirmamos que somos a geração final. Com isso, nós os privamos de qualquer perspectiva de futuro. Prefiro ficar com o salmista, e declarar: “A posteridade o servirá; falar-se-á do Senhor às gerações futuras” (Sl.22:30-31).

Encruzando os braços, os cristãos estão entregando o mundo às baratas. Desistindo de lutar pelas próximas gerações. Isso sim é que podemos chamar de alienação.

Se os leitores da Bíblia comentada por Scofield deixassem de dar crédito àquilo que está em seu rodapé, e começassem a ler mais o conteúdo das Escrituras, talvez houvesse uma revolução. O problema é que estamos condicionados a uma leitura, e qualquer um que faça uma leitura diferente é logo tachado de herege.

Por desconhecerem a história, ignoram que muitos dos escritores cristãos aclamados também esboçavam uma escatologia esperançosa quanto ao futuro do Mundo. Gente como Spurgeon, Whitefield, Wesley, Calvino, Lutero, Lloyd-Jones, Jonathan Edwards, os puritanos, e tantos outros, criam no avanço do Evangelho e na eventual conversão das nações a Cristo (Leia Salmo 22:27-28). Era a isso que chamavam “avivamento”.

Aos vidrados em teorias de conspiração devo informar que vocês estão sendo vítimas da maior de todas elas. Esqueçam “Deixados pra trás”! Olhem para Cristo, o Cavaleiro Fiel e Verdadeiro, que saiu “vencendo e pra vencer”.

Um dos cânticos mais cantados pelos cristãos ao redor do mundo foi composto por alguém que tinha esta esperança. Ele diz:

Já refulge a glória eterna,
De Jesus, o rei dos reis;
Breve os reinos deste mundo,
Seguirão as Suas leis;
Os sinais da sua vinda,
Mais se mostram cada vez;
Vencendo vem Jesus!
Glória, glória, aleluia (3x),
Vencendo vem Jesus!
O clarim que chama as crentes,
A batalha já soou;
Cristo, à frente do seu povo,
Multidões já conquistou;
O inimigo em retirada,
Seu furor patenteou;
Vencendo vem, Jesus!
E por fim entronizado,
As nações há de julgar;
Todos grandes e pequenos,
O juiz hão de encarar;
E os remidos triunfantes,
Em fulgor hão de cantar:
Vencendo vem Jesus!

Sinceramente? Prefiro este hino àquele que estimula os crentes à irresponsabilidade com o futuro da Terra.

Recomendo que os leitores deste blog busquem comparar o sistema dispensacionalista com outros sistemas de intepretação da Escatologia Bíblica. Vocês se surpreenderão.

Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2010/07/em-caso-de-arrebatamento.html#Blog1#ixzz0v5sNyfmq

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Luciano Ferrari
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Seria o jogador Kaká um ILLUMINATI?

Marcelo Lemos

Meu amigos “evangélicos de carteirinha” que me perdoem, mas a cada dia que vivo me decepciono um pouco mais com essa gente que se diz “crente” e “evangélica”. É verdade, houve um tempo em que o termo “evangélico” carregava um singificado bonito, uma referencia àquele povo que acreditava na Bíblia como sua regra maior de fé e conduta e que, além disso, amava pregar o Evangelho a todos os homens, mesmo que para isso precisasse subir morros e desbravar favelas. A História do termo “evangélico” é linda, e tenho um orgulho santo de fazer parte dela, ainda que só um pouquinho…

Mas as decepções são muitas, mesmo porque em nossos dias até cachoro com coleira de Piton pode ser chamado de “evangélico”; e se latir estranho acaba consagrado Apóstolo e declarado “cobertura espiritual” de algum principado canino por aí. Não duvidem, meus caros, a insanidade parece ser marca registrada da ‘galera gospel’ deste imenso Brasil. Que o projeto de Lei que pretende transformar Jesus em patrimônico cultural do Rio de Janeiro não me deixe mentir!

Também não me deixam mentir os gedozistas que alugaram helicópteros e sobrevoram uma Capital jogando “oleó ungido” sobre a desejada metropole. Naqueles mesmos dias, outro grupo saiu urinando nas esquinas, sob a alegação que era assim que os filhos do Leão de Judá deveriam marcar seu território. Eu morava em BH na época e, quando me informaram das novas, pensei comigo: “Se um destes lunáticos vier mijar na minha porta, vou fazê-lo limpar com a língua!”. Mas, como costuma dizer minha esposa: “O Capeta sempre sabe pra quem aparece!”. Deve mesmo saber, pois não deu as caras lá em casa… Sorte deles!

Mas as ‘doideras gospeis’ não se restringuem ao mundo religioso do ópio gedozista, quem nos dera tal benção! Um outro campo ‘evangélico’ onde as ‘doideras’ sempre dão um jeito de marcar presença é a Escatologia, especialmente nas raias do Dispensacionalismo. No entanto, nem todo Dispensacionalista é doido ou idiota, muito pelo contrário. Os melhores dispensacionalistas – ou seja, os mais bíblicos e sensatos dentre eles – não cometem ‘doideras’, e até lutam contra elas. Um exemplo que tenho acompanhado com prazer é a série “Escatologia Aterrorizante”, uma louvável iniciativa do dispensacionalista pastor assembleiano Ciro Sanches. Saiba mais AQUI [vale muito a pena conferir!].

Todavia, como a sanidade não é um dom que Deus deu a todos os homens, vejam que descoberta maravilhosa foi feita sobre a relação que existe entre o craque Kaká e o Reino do Anticristo. Duvida? Seu incrédulo, veja o vídeo e comprove com seus próprios olhos:

Ainda não se convençeu, né? Então, leia explicação de alguém comprometido com a “defesa da Igreja de Cristo”:

“Com a chegada da copa na África, a Pepsi lança um comercial bem satânico e favorável ao reino de satanás. Nesse comercial as pessoas usam uma estrela de 10 pontas que representa a Besta de 10 chifres ou o Anticristo e seus nove mestres eleitos.


O jogador Kaká, um suposto cristão que também faz parte da nova ordem mundial, usa a mesma camisa; mas ele fica tão distraído preocupado com sua fama e as fotos que o bode (representando satanás) o derruba com muita facilidade (sem nenhum esforço) e os moradores da aldeia (servos de satanás) ficam rindo da sua ingenuidade junto com o bode.


Esse comercial também indica que acontecerá algo no dia 11.06.


O rapaz que segura a câmera é o jogador Drogba ( dragão ) nascido em 11.03 e o rapaz que assiste na TV ao lado do bode (que simboloza baphomet), chama-se Messi ( messias – falso) nascido em 24.06.


Os ocultistas não os escolheram por acaso. A câmera representa que o tal suposto evento seria registrado, assim como foi em 11.09.2001, que praticamente foi passado ao vivo para o mundo. Note que o Drogba ( dragão,vulgo satanás) , é que provoca a queda de Kaká.”


No primeiro momento da nova ordem, satanás ajudará o anticristo, por isso que eles se cumprimentam no final com um sinal típico de “jogada em equipe”.

Interessante observar que o especialista em escatologia que escreveu o artigo tenta insinuar que Kaká seja um falso cristão, ao dizer: “o suposto cristão”. Ora, se ele, Kaká, é um verdadeiro cristão eu não sei, nem o conheço; agora, tirar conclusões deste tipo com base num comercial de Televisão é o cumulo da burrice “gospel”, não acham? Oh, sim! muito cuidado: me coloquem na lista de suspeitos, pois evidentemente estou escrevendo este artigo para tentar ocultar a verdade de vocês; estejam certos de que Marcelo Lemos também é um membro do Reino do Anticristo!

Doa a quem doer, afirmo sem tirar uma letra sequer: Acho que é todos estes “alertas” uma GRANDE BABOSEIRA. O cara negro não é um dragão, é um ser humano. E Messi não significa Mesias, quanto mais “falso mesias”. E também o bode não é um simbolo do Capeta, é uma criatura de Deus, assim como as galinhas, os patos, os marrecos, as serpentes, enfim.

Ahá! E os caras, inimigos de seleções, se cumprimentam e isso significa algo elaborado pelo Anticristo? Que legal! Quer dizer que o comercial deveria terminar com um dando um tiro na testa do outro? Aí, sim, bem cristão… ninguém veria a mão do Capeta no filmeco. Será que os “evangélicos” que ficam bolando essas teorias idiotas não conhecem amizade?

E o Kaká não percebeu o bode atrás de si quer dizer que ele estava desatento para as atenções de Satanás? Que comédia! Quem é que nunca pagou mico ao se posicionar para uma foto? Será que o sofá aqui de casa também tem pacto com o Capiroto? Além disso, o bode não derrubou ninguém, foi o Kaka quem tropecou nele (sem problema, eles arranjam uma “explicação iluminat” para isso também!).

Mas, em todo o caso, vamos mandar um aviso a todos os africanos: matem todos os bodes, eles são representação de Satanás.

Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2010/07/seria-o-jogador-kaka-um-iluminati.html#Blog1#ixzz0v5N3urEC
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Luciano Ferrari
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Gente cansada de Igreja

Entrevista com Israel Belo de Azevedo

Publicado em 26.07.2010

Seja pelo falso mito dos “súper-crentes”, o excesso de trabalho e/ou a alta expectativa e exigências das pessoas, vivemos dias em que somos pressionados (e porque não dizer “apressados”) a fazer e ser o que esperam de nós. Resultado: Gente cansada! Gente decepcionada!

Por isto e por outros fatores, há muita gente cansada de igreja também, gente que logo ficará cansada de Deus, gente que logo se afastará de Deus, às vezes irremediavelmente.

Refletindo sobre esta situação é que entrevistamos o Pr.Israel Belo de Azevedo, graduado em Jornalismo, mestre em Teologia, doutor em Filosofia e autor de livros, como O Prazer da Produção Científica, Olhar de Incerteza e Gente Cansada de Igreja.

Pastor da Igreja Batista de Itacuruça, no Rio de Janeiro e diretor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.

Em sua opinião, o que leva tanta gente a desistir de frequentar uma igreja?

Os fatores são internos e externos. Por internos, eu me refiro à própria condição do desistente de igreja, não importa a situação da comunidade. Menciono as expectativas sobre a igreja (líderes e membros) que não podem ser preenchidas, como atenção o tempo todo, e os desgastes emocionais, não necessariamente ligadas à igreja. As pessoas imaginam que a igreja seja uma organização perfeita e, quando descobrem que não é, desistem dela, por exemplo. As relações humanas, como na vida conjugal, são muito difíceis sempre.

Por externos, menciono os abusos que as lideranças cometem, por autoritarismo ou por desvio de conduta, sobre os membros e sublinho também a cultura da falta de compromisso e de disciplina, vigente em nossos dias. Para que se comprometer, perguntam alguns. A relação de troca acaba estressando os relacionamentos, que acabam extintos, em muitos casos. É mais fácil cobrar o que a igreja pode fazer por mim do que me perguntar o que posso fazer por ela.

Sendo a decepção um dos motivos da desistência, como devemos lidar com ela em nossos relacionamentos e na Igreja?

Não adianta pedir a um decepcionado que faça uma avaliação das causas de seu afastamento no calor da hora, ele apenas fará girar a sua metralhadora, da qual ninguém escapa, exceto ele mesmo. Mas devemos nos perguntar: onde falhamos. Como na vida conjugal, não apenas um lado falha. Os líderes precisam também tomar o cuidado para não acharem que a artilharia está assestada contra ele. Também não podem achar que não é com eles o problema.

Se o líder é um pregador, deve saber que as pessoas vão ouvir o que quiserem ouvir, o que demanda, por parte dele, um cuidado extremo. Uma vez, por exemplo, mencionei o valor da pontualidade. Depois de algum tempo, uma pessoa voltara à igreja e achou que era para ela que eu estava falando. Foi quase impossível ela entender que a orientação era para todos.

Uma das maiores dificuldades é equilibrar o respeito pelas pessoas e interesse por suas vidas. Uma pessoa desaparece e ninguém a procura. O que isto significa: respeito ou desinteresse? Da parte dos membros em geral, eles devem conferir o que ouviram. Da parte dos líderes, deve ter real interesse pelas pessoas.

Podemos afirmar que tem gente cansada de igreja dentro das Igrejas? Se sim, quais as suas características.

Sim, há, tanto dentro quanto fora. Os que já estão fora acham que a igreja prega uma coisa e vive outra, o que se aplica a líderes e membros em geral. Os que ainda estão dentro vivem reclamando, mas ainda não desistiram. Ainda bem.

Como a imagem da capa do seu livro ilustra, muitos cristãos estão parecidos com os fósforos apagados. A que se deve tanto desânimo?

Um dos fatores é o sacerdotalismo, que tem dois autores: os membros e os líderes. Por um tempo, a idéia de um sacerdote que ora por todos e que faz tudo é conveniente, embora contrária aos princípios das Sagradas Escrituras. Precisamos dessacertotizar a igreja. É difícil porque isto vem do judaísmo e foi reproduzido pelo catolicismo romano, e somos todos um pouco judeus e um pouco católico-romanos. A maioria das pessoas não descobriu a riqueza de ser seu próprio sacerdote. Outro fator é a dita vida moderna, com tantas exigências e tantas metas. As pessoas se cansam da vida. Nem sempre a igreja consegue ser um lugar de descanso.

Como podemos agir para trazer de volta a chama do primeiro amor esquecido?
Esta é uma tarefa quase perdida. Rick Warren disse que é um esforço sem recompensa buscar os que se foram, tendo estado um tempo na igreja. Sim, eles são muito críticos e muito amargos. No entanto, devemos desenvolver ações neste sentido, mesmo que não dê resultado. Há alguns anos telefonei e escrevi para todos os afastados; nenhum voltou. Assim mesmo, vamos fazer outro esforço neste sentido. Eles precisam saber que nos fazem falta.

Precisamos gastar tempo com os que estão na igreja, para que entendam o que é a fé cristã. Boa parte não sabe.

Que cristianismo estamos passando aos mais jovens? Que disposição os mais jovens têm para levar a Palavra do evangelho de Cristo?

O problema, nesta área, não são os mais jovens, são os mais velhos.

Quais os conselhos que você daria para pastores e líderes cansados e/ou liderando gente cansada?

Quando meu pai morreu, no ano 2000, eu me lembro de poucas coisas do culto, que foi celebrado no próprio cemitério. Eu não lembro de nenhuma palavra, mas lembro de um pastor que apenas me abraçou. Precisamos, portanto, encontrar situações em que estejamos juntos. Precisamos fazer a igreja crescer: gente nova contagia; crente velho se cansa um do outro. Precisamos rever sempre a nossa motivação: por que estamos na igreja? o que nos move como líderes? qual é o nosso combustível: amor, sucesso, senso de missão ?

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

URL: http://www.institutojetro.com/lendoentrevista.asp?t=0&a=2236
Site: http://www.institutojetro.com/
Título do artigo: Gente cansada de Igreja
Autor: Israel Belo de Azevedo

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Pela Fé somente

Por: Augustus Nicodemus Lopes

Um assunto que geralmente passa batido em meio às nossas discussões teológicas é a questão da salvação individual. Parece que assumimos tacitamente que todos os que se declaram cristãos concordam sobre o que é a salvação eterna e como ela é obtida – ou dada. Ao meu ver, este ponto é da mais alta importância para todos. Foi ele o ponto central da Reforma protestante do séc. XVI. A Reforma obviamente teve aspectos políticos, econômicos e culturais, mas, ao final, foi um movimento essencialmente religioso deflagrado por esta questão no coração de Lutero, “o que faço para ser salvo?” A resposta de Lutero, seguida por Calvino, Zuínglio e todos os reformados até o dia de hoje, foi que o pecador é salvo pela graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo somente, e não por seus méritos pessoais ou pela mediação da Igreja. A reação da Igreja Católica veio no Concílio de Trento, que consolidou a contra-Reforma católica, realizado sob a liderança do papa Paulo III em 13 de janeiro de 1547. Nos cânones aprovados neste Concílio, que salvo melhor juízo nunca foram revogados pela Igreja Católica de hoje, temos um que trata do assunto:

Cânone 9 – Se alguém disser que o pecador é justificado pela fé somente, significando que nada mais é requerido para cooperar com o objetivo de se obter a graça da justificação, e que não é necessário de forma alguma que ele seja preparado e disposto pela ação de sua própria vontade, que seja anátema. (meu destaque)

Este cânone foi intencionalmente elaborado contra a doutrina protestante. Se ele continua mantido hoje, significa que a Igreja Católica defende que aqueles que acreditam na salvação pela graça mediante a fé somente são “anátema,” que na terminologia católica significa exclusão definitiva da Igreja e, portanto, condenação eterna. Isto inclui todos os protestantes evangélicos que pensam, como Lutero, que a salvação é pela fé somente.

Eu sou um deles. O que segue abaixo é o que entendo ser o pensamento padrão reformado sobre o assunto. Lembro ainda que não estou querendo ser exaustivo (e nem poderia!) e que só destaquei aqueles pontos que acredito são mais relevantes para nosso cenário.

1. Todas as pessoas são carentes de salvação, pois todas elas, sem qualquer exceção, são pecadoras. Isto significa que elas, em maior ou menor grau, quebraram a lei de Deus e se tornaram culpadas diante dele. Esta lei está gravada na consciência de todos, disposta nas coisas criadas e reveladas claramente nas Escrituras – a Bíblia. Ninguém consegue viver consistentemente nem com seu próprio conceito de moralidade, quanto mais diante dos padrões de Deus. Como Criador, Deus tem o direito de legislar e determinar o que é certo e errado e de julgar a cada um de acordo com isto.

2. Ninguém é bom o suficiente diante de Deus para obter sua própria salvação ou de fazer boas obras que o qualifiquem para tal. O pecado de tal maneira afetou a natureza do ser humano que sua vontade é inclinada ao mal, seu entendimento é obscurecido quanto às coisas de Deus e sua fé não consegue se firmar em Deus somente. Sem ajuda externa – a qual só pode vir do próprio Deus – pessoa alguma pode obter ou receber a salvação da condenação e do castigo que seus próprios pecados merecem.

3. Deus enviou Seu Filho Jesus Cristo ao mundo para morrer por pecadores, de forma que eles pudessem obter esta salvação a qual, de outra forma, seria inalcançável. Jesus Cristo, por determinação e desígnio de Deus, morreu na cruz como sacrifício completo, perfeito, único, suficiente e eficaz pelos pecados. Ele ressuscitou física e literalmente de entre os mortos ao terceiro dia, vencendo a morte e o inferno, e subiu aos céus. Assim, somente em Jesus Cristo as pessoas podem encontrar a salvação da culpa e condenação de seus pecados. E fora dele, não há qualquer possibilidade de salvação, diante dos pontos 1 e 2 expostos acima.

4. As pessoas tomam conhecimento da pessoa e da obra de Cristo mediante o Evangelho, o qual é pregado ao mundo todo. Sem o conhecimento do Evangelho, é impossível para as pessoas se salvarem. Cristo é a luz do mundo, o caminho, a verdade e a vida, e ninguém pode ir ao Pai senão por ele. Este Evangelho está claramente exposto na Bíblia, e é por ouvir a Palavra que vem a fé em Jesus Cristo. Com respeito àqueles que nunca ouviram falar de Cristo, o Deus justo haverá de tratá-los sem cometer injustiça e em conformidade com a luz que receberam, quer da sua própria consciência, quer da natureza. Todavia, não poderão alegar desconhecer a lei de Deus.

5. Mediante a fé em Jesus Cristo, como seu único e suficiente Salvador, as pessoas, quem quer que sejam, de qualquer país ou cultura, sem distinção alguma de raça, sexo, posição social ou educação, são perdoadas completamente de seus pecados, aceitas por Deus como filhos e recebem o Espírito de Deus como selo e penhor desta salvação, iniciando assim uma nova vida neste mundo. Nesta nova vida, elas demonstram arrependimento pelas obras más cometidas, humildade e constante penitência diante de Deus, aliadas a uma grande alegria e gratidão a Ele por tão grande e completa salvação. A certeza que eles têm aqui nesta vida de terem sido salvos da condenação eterna não decorre de seus méritos ou obras – os quais eles não possuem – mas da graça e do favor de Deus. Por isto falam desta salvação não em termos arrogantes, mas humildemente, como pessoas que foram misericordiosamente salvas do justo castigo que mereciam.

6. A fé salvadora não é uma força emocional mística. Antes, é a confiança que parte de um coração regenerado por Deus em todas as suas promessas, principalmente aquela de vida eterna na pessoa de Jesus Cristo, Seu Filho. Esta confiança envolve uma compreensão básica do que o Evangelho nos diz sobre Cristo e sua morte e ressurreição e um assentimento intelectual a estes fatos. Como nem esta compreensão e nem mesmo a fé têm origem na capacidade humana, afetada como está pelo pecado, segue-se que a salvação, tendo custado um alto preço que foi a morte de Cristo, é dada gratuitamente por Deus. Ela não depende de obras, mérito, esforço ou qualquer outra coisa que tenha origem no ser humano. É puramente pela graça, mediante a fé.

É claro que estou falando somente da salvação da culpa e da condenação merecidas por nossos pecados. A obra de Cristo inclui muito mais, desde a santificação até a ressurreição dos mortos e a glorificação – que poderão ser assuntos de outros posts. Na verdade, o que Cristo fez e o que Ele é impactam todas as áreas da vida. Mas isto é assunto para mais adiante.

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PS1: Para os calvinistas que vão reclamar, a doutrina da eleição incondicional está nas entrelinhas. E para os que com isto vão dizer que eu estou escondendo o jogo, remeto para postagens anteriores onde abordei esta doutrina explicitamente.

PS2: O título desta postagem bem que poderia ser, “Enquanto Solano e Mauro não voltam…” Solano está dando um curso em Moçambique e Mauro está oficialmente de férias.

Autor: Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: [ O Tempora, O Mores! ]

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Luciano Ferrari
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Davi e sua forma de resolver problemas

Todos nós lutamos com diversos problemas e dificuldades – seja na vida profissional ou em nossas famílias e casamentos. Inúmeras pessoas não conseguem mais dar conta dos seus problemas. Por isso a Bíblia nos convida a lançar nossas cargas sobre Jesus: “Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado” (Sl 55.22).

Davi era uma pessoa como eu e você, com traços de caráter positivos e negativos. Ele sabia o que era simpatia e antipatia, era uma pessoa com pontos fortes e outros menos fortes. Mas, apesar de seus erros e fraquezas, Davi era uma pessoa que buscava a Deus de todo o coração. Ele tinha consciência profunda de sua pecaminosidade. E justamente por isso ele vivia na dependência do perdão de Deus. Além disso, Davi era um homem ligado à Bíblia, que amava a Palavra de Deus e se orientava por ela. Davi se destacou acima de tudo por uma coisa: seu profundo anseio pela salvação de Deus, seu anseio pelo Salvador: “Suspiro, Senhor, pela tua salvação…” (Sl 119.174).

Dois enganos
Antes de mais nada, quero corrigir dois enganos. São enganos que freqüentemente nos atrapalham e nos impossibilitam de lidar corretamente com nossos problemas:

1. É um engano pensar que cristãos devotados a Deus não adoecem, não têm problemas e permanecem protegidos do perigo e da doença. Ouvimos com freqüência: “Você só precisa ter a fé certa, dedique-se totalmente a Deus, viva de acordo com a Sua Palavra – e tudo vai ficar bem! Você terá saúde, não terá problemas, suas dificuldades financeiras vão se dissipar no ar, e também na sua família só haverá felicidade”. Esse ponto de vista não é biblicamente sustentável e está baseado em um engano! É isto que analisaremos agora com ajuda da Bíblia, ou seja, pela vida de Davi: o próprio Deus deu o seguinte testemunho a respeito dele e de sua vida de fé: “Achei Davi… homem segundo o meu coração…” (At 13.22). Mas apesar desse testemunho positivo de Deus, a vida de Davi era tudo, menos livre de problemas e preocupações. Pelo contrário: havia um sem-fim de diferentes sofrimentos e provações. Por exemplo: ainda menino, Davi foi obrigado a se considerar como alguém cuja única serventia era cuidar das ovelhas da família. Ele era sempre hostilizado. Seu irmão mais velho só o tratava com desprezo. Seu protetor (Saul) o decepcionou e queria matá-lo. Sua esposa o ridicularizou publicamente. Seu amigo o traiu e seu próprio filho o expulsou de casa, roubou seu trono e queria liquidá-lo por meio de um golpe de Estado. Disso concluímos que é possível alguém ser descrito como “um homem (ou uma mulher) segundo o coração de Deus” e, ao mesmo tempo, levar uma vida cheia de provações.

Vamos nos precaver contra o erro de pensar que os cristãos não ficam doentes, não enfrentam problemas, são imunes à depressão e estão sempre felizes!

O apóstolo Paulo também nos adverte contra uma conclusão errônea: “Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra, – que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor. Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.10-12). Para Paulo estava claro que a vida como cristão pode acarretar dificuldades. É isso que os 2000 anos de história da Igreja de Cristo também mostram. Lemos, por exemplo, numa publicação da Aliança Evangélica Alemã do dia 11 de novembro de 2005: “Ninguém pode determinar com precisão o número dos mártires – as estimativas ficam entre 90.000 e 175.000. E a quantidade de cristãos torturados, ridicularizados e expulsos em todo o mundo nem sequer pode ser estimada”. Vamos nos precaver contra o erro de pensar que os cristãos não ficam doentes, não enfrentam problemas, são imunes à depressão e estão sempre felizes!

2. É um erro pensar que o pecado não tem conseqüências. É freqüente que justamente pessoas com educação cristã pensem: “Que nada, não importa como eu vivo, o que eu faço e como brinco com o pecado: isso não é tão trágico. A qualquer momento posso chegar até Jesus, Ele sempre está disposto a perdoar”. Bem, é totalmente correto e bíblico que Deus sempre perdoa, e faz isso com prazer: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9). Mas, atenção: essa medalha também tem o seu reverso: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7). Esse versículo se dirige explicitamente a pessoas que se dizem cristãs – e mesmo assim brincam com o pecado. Deus incumbiu Paulo de nos advertir, e o sentido de suas palavras é o seguinte: “Elimine o engano a respeito do seu comportamento pecaminoso e errado, pois o seu pecado não ficará sem conseqüências”. Se estou infectado com o vírus da AIDS e me arrependo, Deus tem prazer em perdoar. Mas as conseqüências permanecerão comigo. Se eu ignorar todos os conselhos e casar com uma pessoa não-cristã, mesmo sabendo o que é correto, Deus terá prazer em perdoar – se eu reconhecer o pecado. Mas as conseqüências da desobediência não podem ser desfeitas.

A vida de Davi nos ensina com toda a clareza que o comportamento pecaminoso sempre tem as suas conseqüências: Davi adulterou com Bate-Seba. Além disso, mandou matar o marido dela. Davi agiu de forma conscientemente contrária à Palavra de Deus. Ele achou que podia brincar com o pecado. Davi se arrependeu do pecado (Sl 32, 38 e 51) e também tinha certeza de ter recebido o perdão de Deus (2 Sm 12.13). Mas não havia como desfazer o assassinato. O adultério de Davi veio à tona, pois Bate-Seba ficou grávida. E assim Deus disse a Davi: “Por que, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que era mal perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom. Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher. Assim diz o Senhor: Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres à tua própria vista, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com elas, em plena luz deste sol” (2 Sm 12.9-11). Portanto, as conseqüências eram gravíssimas! De repente, os acontecimentos trágicos começaram a se suceder na casa de Davi: primeiro, um de seus filhos estuprou sua própria meia-irmã. Esse ato horrível acarretou um fratricídio. Em seguida, Absalão se rebelou contra o pai; ele organizou um golpe de Estado, desrespeitou publicamente as esposas de seu pai e, no fim, acabou assassinado.

Se eu ignorar todos os conselhos e casar com uma pessoa não-cristã, mesmo sabendo o que é correto, Deus terá prazer em perdoar – se eu reconhecer o pecado. Mas as conseqüências da desobediência não podem ser desfeitas.

O pecado pode ser comparado a uma pedra jogada em um espelho d’água. Muito depois que a pedra (o pecado) desapareceu, os círculos (as conseqüências) ainda se espalham pela superfície. O trágico é que não apenas Davi foi atingido, mas também todos aqueles que o cercavam. Por isso, não permaneça na ilusão de que o pecado não tem conseqüências. Ele é perdoado, sim, quando há arrependimento, mas não é desfeito, e as conseqüências ficam.

Problemas provocados e não provocados
Na nossa vida há dois tipos de problemas: aqueles que nós mesmos causamos e aqueles dos quais não temos culpa. São problemas com origens diferentes, mas ambos estão presentes em nossas vidas. Porém, podemos e devemos aprender a lidar com eles:

Os problemas não provocados
Durante sua vida, Davi foi confrontado com problemas, provações e sofrimentos, como qualquer pessoa. Infelizmente, a vida é assim, uma conseqüência desagradável do pecado. Não foi à toa que Moisés disse com relação à vida humana: “Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado…” (Sl 90.10). Isso significa que canseira e enfado são as conseqüências lógicas e inevitáveis do pecado.

Os problemas provocados
Esses problemas são resultado da desobediência consciente em relação à Palavra de Deus. Apesar de a culpa em si ser removida quando aceitamos o perdão, é possível que tenhamos de arcar com algumas conseqüências.

Em sua vida, Davi enfrentou os dois tipos de dificuldades. A forma com que ele lidou com elas é notável:

– Certo dia Davi se escondeu em uma caverna úmida e escura. Saul queria matá-lo. Não havia mais nenhuma forma de escapar. Então Davi escreveu o Salmo 57: “Firme está o meu coração, ó Deus, o meu coração está firme; cantarei e entoarei louvores. Desperta, ó minha alma! Despertai, lira e harpa! Quero acordar a alva. Render-te-ei graças entre os povos; cantar-te-ei louvores entre as nações. Pois a tua misericórdia se eleva até aos céus, e a tua fidelidade, até às nuvens. Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória” (vv. 7-11).

– Quando Davi ficou sabendo que muitos de seus amigos sacerdotes tinham sido mortos, ele escreveu o seguinte no Salmo 52: “…esperarei no teu nome, porque é bom” (v. 9).

Como Davi lidava com as dificuldades
Davi solucionava seus problemas, independentemente dele mesmo tê-los causado ou não, confiando-os a Deus. O Salmo 55 também demonstra esse tipo de atitude. O pano de fundo histórico relativo a esse salmo pode ser encontrado nos capítulos 15 a 18 do segundo livro de Samuel: Absalão, o filho de Davi, tinha assumido o poder por meio de um golpe de Estado. Davi estava fugindo dele. Seu próprio filho queria não apenas a coroa, mas também desejava matá-lo. Além disso, um dos amigos de Davi tinha se bandeado para o lado do revoltoso. Em sua fuga, Davi sofreu humilhação pública, foi apedrejado e amaldiçoado. Como ele lidou com isso?

O pecado pode ser comparado a uma pedra jogada em um espelho d’água. Muito depois que a pedra (o pecado) desapareceu, os círculos (as conseqüências) ainda se espalham pela superfície.

Primeiro, Davi simplesmente ficou quieto
Esses acontecimentos absurdos deixavam-no sem palavras, mas ele sabia de uma coisa: “Eu mesmo tenho culpa da situação ter chegado a este ponto. Ela é conseqüência do meu pecado”. E assim Davi ordenou aos seus servos que queriam dar uma lição no apedrejador: “Deixai-o; que amaldiçoe, pois o Senhor lhe ordenou” (2 Sm 16.11). Davi estava consciente do fato de que Deus permitia esse sofrimento. Por isso, ele não se rebelou. Será que nós também conseguimos, por princípio, aceitar as provações? Era o que Davi fazia!

Davi transformou suas preocupações em orações!
Como ele fazia isso? “Dá ouvidos, ó Deus, à minha oração; não te escondas da minha súplica. Atende-me e responde-me” (Sl 55.1-2). Davi contava que Deus ouviria, veria, conheceria a situação e estaria ao seu lado para ajudá-lo. Como você lida com essas situações difíceis? Você logo pega o telefone para contar a outra pessoa, ou primeiro derrama seu coração diante de Deus? No Salmo 62.8 Davi convida: “Confiai nele, ó povo, em todo tempo; derramai perante ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio”.

Davi lidava de forma honesta com a sua situação
Ele não tinha vergonha de reconhecer que estava mal: “Atende-me e responde-me; sinto-me perplexo em minha queixa e ando perturbado, por causa do clamor do inimigo e da opressão do ímpio; pois sobre mim lançam calamidade e furiosamente me hostilizam. Estremece-me no peito o coração, terrores de morte me salteiam; temor e tremor me sobrevêm, e o horror se apodera de mim” (Sl 55.2-5). Davi estava perto de um colapso, o suor frio do medo corria pelas suas costas.

Davi queria fugir e simplesmente esquecer tudo
Seria tão bom: pegar um avião, curtir o sol e o mar, simplesmente desligar. E assim escreveu Davi: “Então, disse eu: quem me dera asas como de pomba! Voaria e acharia pouso. Eis que fugiria para longe e ficaria no deserto. Dar-me-ia pressa em abrigar-me do vendaval e da procela” (Sl 55.6-8). Mas quando os problemas são reais, uma ilha deserta não ajuda em nada. Comprimidos e álcool também não são a solução correta. O que fazer?

Frustração, raiva e ódio precisam sair!
Davi sabia que precisava enfrentar a situação. As desculpas esfarrapadas não adiantavam nada, pois só levariam a novos becos sem saída. Por isso, ele continuou escrevendo: “Destrói, Senhor, e confunde os seus conselhos, porque vejo violência e contenda na cidade. Dia e noite giram nas suas muralhas, e, muros a dentro, campeia a perversidade e a malícia; há destruição no meio dela; das suas praças não se apartam a opressão e o engano. Com efeito, não é inimigo que me afronta; se o fosse, eu o suportaria; nem é o que me odeia quem se exalta contra mim, pois dele eu me esconderia; mas és tu, homem meu igual, meu companheiro e meu íntimo amigo. Juntos andávamos, juntos nos entretínhamos e íamos com a multidão à Casa de Deus. A morte os assalte, e vivos desçam à cova! Porque há maldade nas suas moradas e no seu íntimo” (Sl 55.9-15). Davi precisava desabafar. Por isso, ele se pôs de joelhos e colocou tudo para fora, expondo toda a sua raiva diante de Deus. Você também sabe o que é fermentar, cozinhar e ferver por dentro? Como você lida com isso?

Davi obteve alivío clamando a Deus: “Eu, porém, invocarei a Deus, e o Senhor me salvará. À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas e lamentarei; e ele ouvirá a minha voz” (vv. 16-17). Mas por que também à noite? Porque a pressão e o coração sobrecarregado não nos deixam dormir bem. Se não conseguimos fechar os nossos olhos por causa dos problemas, precisamos de uma válvula de escape. Existe apenas uma única coisa que realmente ajuda e é totalmente saudável: a oração. Por isso: faça de suas preocupações e provações uma oração!

Apesar das circunstâncias difíceis, Davi não ficou desconcertado
Ele estava mais velho. A fuga foi cansativa e incômoda, ele estava acostumado ao conforto da vida na corte. No caminho, pessoas jogaram pedras nele e o cobriram de xingamentos. A morte o perseguia de perto. Desertos quentes, noites geladas e a fome esperavam por ele. Até mesmo o amigo o traíra. Tudo era contra ele.

Mas Davi já tinha experimentado o socorro de Deus em tantas ocasiões durante a sua vida que mesmo agora, apesar de todas as circunstâncias contrárias, ele mais uma vez escreveu: “Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado. Tu, porém, ó Deus, os precipitarás à cova profunda; homens sanguinários e fraudulentos não chegarão à metade dos seus dias; eu, todavia, confiarei em ti” (Sl 55.22-23). Davi estava dizendo o seguinte: “Senhor, posso descansar; Senhor, posso confiar em Ti; Senhor, posso ter certeza de que Tu saberás lidar com a minha situação. Independentemente do que enfrento, posso ter essa certeza: Tu, Senhor, alcançarás Teu objetivo comigo”. Você também pode orar ao Senhor nesse sentido: “eu, todavia, confiarei em ti”! (Samuel Rindlisbacher – http://www.chamada.com.br/)

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, abril de 2007.

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Luciano Ferrari
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IURD construirá réplica do Templo de Salomão com pedras trazidas de Israel

Não agüento mais esta superstição evangélica! Quando eu achava que já vi de tudo no meio evangélico, aparece uma dessas! A Igreja Universal de Edir Macedo vai construir uma réplica do Templo de Salomão com pedras trazidas de Israel. E ainda terá uma réplica da Arca da Aliança! Leia a notícia completa logo abaixo. Por favor, parem a terra que eu quero descer!!!

“Com bases em orientações bíblicas, a Igreja Universal do Reino de Deus construirá a réplica do Templo de Salomão, aqui no Brasil, na cidade de São Paulo (SP). Será uma mega igreja, com 126 metros de comprimento e 104 metros de largura, dimensões que superam as de um campo de futebol oficial e as do maior templo da Igreja Católica da cidade de São Paulo, a Catedral da Sé. São mais de 70 mil metros quadrados de área construída num quarteirão inteiro de 28 mil metros. A altura de 55 metros corresponde a de um prédio de 18 andares, quase duas vezes a altura da estátua do Cristo Redentor. Com previsão de entrega para daqui a 4 anos, a obra será um marco na história da Igreja Universal do Reino de Deus.

O complexo também contará com 36 Escolas Bíblicas com capacidade para comportar aproximadamente 1,3 mil crianças, estúdios de tevê e rádio, um auditório para 500 pessoas, além de um estacionamento para mais de mil carros.

Projetado para causar o menor impacto possível ao meio ambiente, o templo será construído com materiais reciclados e regionais de alta tecnologia, que proporcionarão o uso racional da energia, possibilitando a reutilização de água e calor.

Na área externa será feito um memorial com 250 metros quadrados que poderá ser usado como um espaço para exposições e eventos. A ideia seria contar ali não só a história da Igreja, mas também explicar um pouco do funcionamento do templo como obra de engenharia.

De acordo com o arquiteto e autor do projeto, Rogério Silva de Araújo, o empreendimento é arrojado e emprega tecnologia de ponta, para que quando as pessoas entrem no local, viajem pelo tempo e sintam-se como se estivessem no primeiro templo construído por Salomão. “Começando pela fachada, passando pelo átrio e chegando internamente na nave, criamos uma visão de maneira a remeter as pessoas ao passado. Para tanto, estamos nos valendo de toda tecnologia de ponta associada ao bom senso na arquitetura de maneira a não criar este choque de épocas”, diz Araújo.

Ainda dentro da Igreja, uma arca representando a Arca da Aliança será colocada sobre o altar com o objetivo de proporcionar um efeito tridimensional, que, quando aberta, poderá ser observada totalmente em seu interior e também refletirá no batistério, criando a sensação, durante o batismo, de que a pessoa estará se batizando dentro da Arca. Na face frontal do altar serão aplicadas doze pedras representando as doze tribos de Israel, e todo o altar será ladeado por duas colunas diferenciadas chamadas Joaquim e Boaz, nomes também citados na Bíblia. A Igreja será no Brás (zona leste da capital paulista) e terá capacidade para mais de 10 mil pessoas sentadas.

De acordo com o bispo Edir Macedo, o local não será de ouro, mas as riquezas de detalhes empregados em cada parte do templo serão muito parecidas com os do antigo santuário. “Nós encomendamos o mesmo modelo de pedras de Jerusalém que foram usadas por Salomão, pois vamos revestir as paredes do templo com elas. Nós queremos que as pessoas tenham um lugar bonito par buscar a Deus e também a oportunidade de tocar nessas pedras e fazer orações nelas.”, comentou o bispo durante reunião realizada em São Paulo. Ele acredita que a visitação ao Templo não se limitará somente aos fieis da IURD, mas se tornará um ponto turístico e cultural, que atrairá pessoas do mundo todo.

Para o presidente da Juventude Judaica Organizada, Persio Bider, a iniciativa poderá promover um melhor entendimento ao povo brasileiro não judaico a respeito de Israel e dos judeus, eliminando preconceitos e o antissemitismo, ainda presente na sociedade. “Somente por meio do conhecimento mútuo poderemos erradicar qualquer tipo de preconceito ou discriminação por parte de ambos e, assim, trabalharmos juntos no que temos de semelhanças e nos respeitarmos no que pensamos e acreditamos de diferente. Temos muito em comum e precisamos nos unir para que seja possível trabalharmos ativamente em uma sociedade mais justa, positiva e focada em uma coexistência e inter-religiosidade plena, razão pela qual acredito ser muito interessante a iniciativa do bispo Macedo, que entendo amar muito a Terra de Israel e o povo judeu”, afirma Bider”.

Fonte: [ Portal do Beirú ]
Via: [ Blog dos Eleitos ]

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Luciano Ferrari
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Bola no pé, Bíblia na mão

País-sede do próximo Campeonato Mundial de Futebol, Brasil poderá ser um campo aberto ao evangelismo em 2014. A proximidade entre a fé evangélica e o futebol, aliás, também tem crescido por aqui. Desde a final da Copa de 1994, realizada nos Estados Unidos, o assunto chama a atenção.

Não deu para a seleção brasileira levantar o título da Copa do Mundo da Fifa, mas o time de Cristo escalado no país do futebol bateu um bolão na África do Sul. Ao todo, foram mais de 250 missionários brasileiros anunciando o Evangelho de Jesus na África do Sul, onde neste domingo se encerra a maior competição do futebol mundial com a partida entre Espanha e Holanda. Apesar de certo desconsolo pela perda do sonhado hexacampeonato – afinal, eles são cidadãos do Reino de Deus, mas também do país do futebol –, os obreiros voltam para casa felizes da vida. “Eu nunca mais serei o mesmo”, diz João Batista, um dos voluntários que aproveitaram o Mundial para ganhar almas para Cristo. Usando a linguagem internacionalmente aceita do futebol, eles participaram de cultos ao ar livre, impactos evangelísticos, visitações a escolas e hospitais e atividades artísticas, educativas e esportivas com temática cristã – inclusive escolinhas de futebol para crianças carentes nos arredores das principais cidades sul-africanas.

“Esse tipo de evangelismo durante eventos como a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos não focam apenas os turistas, mas também a população local”, destaca Marcos Grava, coordenador de Esportes e Evangelismo da Missão Batista Internacional, uma das entidades que participam da Conexão África, promovida pela Coalizão Brasileira de Ministérios Esportivos. Segundo ele, os evangélicos devem aproveitar as imensas oportunidades abertas para a pregação da fé nessas ocasiões, inclusive para alcançar pessoas oriundas de países fechados ao Evangelho, que de outra forma jamais ouviriam a Palavra de Deus. Nesta Copa, por exemplo, nações de regimes fechados para a fé cristã, como a comunista Coreia do Norte e a muçulmana Argélia, estiveram representadas na África do Sul.

“A maioria das pessoas aqui estão concentradas nos jogos, mas nós, como povo de Deus, usamos diversas estratégias para anunciar as Boas Novas”, concorda a missionária brasileira Vanessa Faustini, da Igreja Batista de Curitiba. Ela chegou à África do Sul em março e fica pelo menos até agosto, a serviço de Jovens com Uma Missão (Jocum). “Como a organização mobiliza equipes do mundo inteiro nesses eventos, a Igreja local também é beneficiada e encorajada”. Vanessa diz que a ênfase é sempre de trabalhar com as igrejas do país que sedia a competição – afinal, é ali que os novos convertidos irão congregar. Além disso, diz ela, os evangelistas brasileiros têm uma vantagem a mais: a grande popularidade mundial do futebol verde-e-amarelo, “Consegui me aproximar mais facilmente de muitos africanos por ser do Brasil”, conta. Para iniciar a conversa, nada melhor do que falar o nome de craques famosos, como Kaká, Robinho ou Ronaldinho, que mesmo não tendo ido à Copa é muito popular, sobretudo entre as crianças.

Fé e polêmica – As palavras da jovem missionária brasileira ganham relevância quando se sabe que o país sediará a próxima Copa do Mundo Fifa, em 2014. Nesta semana, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve em Johanesburg para o lançamento oficial da competição. Ainda faltam quatro anos, tempo suficiente para a Igreja Evangélica brasileira, que tem crescido exponencialmente nos últimos anos, preparar-se para entrar em campo com a bola no pé e a Bíblia na mão.

A proximidade entre a fé evangélica e o futebol no Brasil, aliás, também tem crescido. Desde a final da Copa de 1994, realizada nos Estados Unidos, o assunto chama a atenção. Ali, durante a decisão do título entre as seleções de Brasil e Itália, aconteceu aquele que foi considerado o duelo entre Jesus e Buda. A última cobrança de tiro livre direto foi confiada ao italiano Roberto Baggio que professa o budismo. No gol, o brasileiro Taffarel, crente em Jesus. O italiano chutou para fora, deu o título ao Brasil e os crentes deram glórias a Deus.

De lá para a cá, a quantidade de craques que professam o Evangelho só fez crescer. O mais conhecido deles é o meia Kaká, considerado pela Fifa o melhor jogador do mundo em 2007. Ligado a uma igreja neopentecostal de São Paulo, o atleta é um evangélico convicto, que garante ter chegado virgem ao casamento e contribuir fielmente para sua igreja com os salários milionários que recebe do Clube Real Madrid, da Espanha, onde joga. Além disso, é comissário voluntário da ONU para a infância e faz questão de usar adereços com motivos evangélicos, como uma camiseta com a legenda “I belong to Jesus”.

Ele e outros jogadores brasileiros de ponta, como o zagueiro Lúcio, o meia Kléberson e o atacante Luís Fabiano, que estiveram em África do Sul-2010, já até despertaram polêmicas por seu engajamento religioso. Na última edição da Copa das Confederações, competição vencida pela seleção brasileira em 2009, eles foram alvo de protestos de outras federações e até da Fifa por conta do que seria um exagero na divulgação da mensagem religiosa nos estádios. Antes desta Copa do Mundo, a Fifa até enviou representantes à delegação brasileira para recomendar moderação nas expressões de fé. Ficou decidido que as camisetas com mensagens cristãs não poderiam ser usadas, mas Kaká não se fez de rogado: pediu ao seu patrocinador que a palavra “Jesus” fosse impressa em sua chuteira. Sem muito resultado – jogando um futebol apático, como todo o time brasileiro, Kaká pouco foi notado em campo neste Mundial.

Ainda não dá para saber se o meia, de 28 anos, estará em campo em Brasil-2014. Contudo, com o expressivo crescimento da Igreja brasileira, que já tem cerca de 35 milhões de fiéis, e a habilidade nacional coma bola, é certo que o país terá muitos crentes em ação na próxima Copa do Mundo – não apenas dentro, mas principalmente, fora das quatro linhas, proclamando o nome de Jesus no país do futebol. E, melhor ainda, se puder também comemorar o hexa…

Carlos Fernandes

Fonte: Cristianismo Hoje

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Luciano Ferrari
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Uma religião anti-cristã – Entrevista com Didi Coman

Portas Abertas tem trabalhado de forma intensiva com o chamado para o mundo árabe, região onde o Irmão André diz representar um desafio maior do que foi a Cortina de Ferro, que marcou o início da Missão.

Que diferenças há entre esses dois contextos sobre a perseguição aos cristãos?

No período da Cortina de Ferro, as pessoas sofriam por causa de uma ideologia. Já no mundo islâmico, os cristãos sofrem por conta de uma religião anticristã. O islã é um desafio maior porque a religião parece estar mais enraizada na forma de pensar das pessoas ao longo dos séculos. Embora o ponto de partida seja diferente, o resultado é praticamente o mesmo: intimidação pessoal, dificuldade de ter ou encontrar algum emprego e, por último, ser preso ou morto. Em ambos os regimes, os cristãos vivem sob pressão e/ou intimidação.

Até que ponto a cultura religiosa local influencia os governos a adotarem medidas anticristãs? Aonde começam estas iniciativas discriminatórias?

Nos países muçulmanos, a religião é parte integral da sociedade. Não há divisão entre religião e Estado. As leis do Estado são baseadas na religião. O islã é a sua forma de vida. Quando você não coopera com isso, então começa a discriminação.

No contexto oriental, as mulheres não são valorizadas, sem mencionar os lugares onde são consideradas propriedades dos homens como em algumas sociedades africanas e asiáticas. Quais as restrições que uma nova convertida ao Evangelho enfrenta nessas sociedades? O que pode acontecer caso ela torne pública sua fé?

Na maioria destes países, as mulheres são respeitadas desde que cumpram seu papel e deveres no meio em que vivem. Elas são capazes de estudar e serem parte integral da sociedade, dentro de certo contexto. Na maioria dos países ocidentais, temos uma cultura de culpa. Na maioria dos países orientais, temos uma cultura de vergonha. Se a mulher não cumpre seu papel na sociedade, elas envergonham seus parentes. Quando se tornam cristãs, não mais cumprem seu papel e estão completamente cientes disso. Grande parte delas não expõe abertamente sobre a conversão ao cristianismo em respeito às suas famílias. Caso tornem pública sua fé, então são trancafiadas, surradas, expulsas de casa, etc.

Em seu contato com famílias cristãs que enfrentam perseguição, como você avalia suas vidas? Até que ponto elas são capazes de compartilhar sua privacidade, conforto e até mesmo segurança em prol da obra de Deus?

Quando a família toda é cristã, elas apenas têm de enfrentar perseguição de fora. Algumas vezes, outros membros da família não querem ter contato com elas, algumas vezes, elas serão despedidas de seus empregos, vigiadas pelas autoridades e sem nenhuma liberdade em suas vidas privadas, sentindo-se sempre inseguras sobre seu futuro e sobre quem as vigia. Quando somente um ou dois membros da família são cristãos, as pessoas têm de tomar cuidado dentro de suas próprias famílias. Algumas vezes, elas são expulsas de casa, relacionamentos são destruídos e, como me disse um rapaz recentemente: ‘Perdi tudo (casa, noiva), mas ganhei Jesus como meu Salvador. Então, tenho tudo que preciso!’

Quais os efeitos da perseguição religiosa sobre a família de um obreiro cristão?

Recentemente, encontrei-me com a esposa de um líder cristão que está preso. Seus filhos eram muito dedicados ao pai, especialmente o mais novo. Todo dia ele chorava sentindo a falta do pai. Ela estava abandonada. Até mesmo seus amigos e membros da igreja tinham medo de ter contato com ela. Eles temem que a polícia vá a suas casas e as possíveis conseqüências. Este é apenas um exemplo, mas os membros da família também sofrem. Acontece também que, devido à perseguição do homem, não há mais renda e, em alguns casos, nem mesmo uma casa para morar, etc. Em geral, é a solidão.

A Igreja Evangélica tem uma presença forte das mulheres. No Brasil, estima-se que, a cada 10 cristãos, 6.5 são mulheres. Quais as razões da predominância de mulheres na Igreja?

Talvez as mulheres sejam mais sensíveis, mais abertas ao Evangelho. Na bíblia, vemos que Jesus, após a Ressurreição, encontrou-se primeiro com as mulheres. E isso não acontece somente no Brasil, mas também em outros países pelo mundo. Os verdadeiros motivos? Não há uma resposta clara!

Em contrapartida, com o advento do ministério pastoral feminino, o papel das mulheres, que sempre teve pequena expressão, está agora aumentando. Mas as grandes denominações e organizações religiosas ainda não são dirigidas por mulheres. O que é necessário para mudar essa mentalidade e fazer com que as mulheres cristãs tenham um papel na Igreja que mereçam e tenham a habilidade de pô-lo em prática?

Deus nos diz na bíblia que Adão e Eva foram criados e ambos complementavam um ao outro. “Então criou Deus o homem à sua própria imagem… Macho e fêmea os criou” (Gênesis 1:27). Juntos, macho e fêmea foram chamados ‘o homem à sua imagem’. Ambos têm seus papeis específicos e lugares dentro do Reino de Deus. Deus deu a todos nós, homens e mulheres, dons específicos e talentos. O papel da mulher na Igreja tem sido muitas vezes subestimado ao longo da história. Desse modo, que a Igreja se levante e dê a cada pessoa o lugar que merece de acordo com seus próprios dons e talentos. E também, de uma vez por todas, às mulheres. O mais importante não é que a mulher dirija uma igreja, mas que cada pessoa seja capaz de desenvolver, dentro da Igreja, os dons específicos e talentos que Deus lhe deu; homens e mulheres!

Quais são as maiores necessidades da Igreja Perseguida hoje?

As maiores necessidades são: Apocalipse 3:2: “Desperta! Fortalece o remanescente que está para morrer…”. A Igreja ‘livre’ tem que despertar para ‘cuidar’ daqueles que são parte do mesmo corpo, mas sofrem! Primeiramente, através de orações, encorajando, sendo informado, também através de Portas Abertas, e dando dinheiro para comprar bíblias e material de estudo. A maior necessidade: vamos nos levantar como Igreja livre e dizer a todos sobre a parte do nosso corpo que sofre e precisa de nosso apoio!

Em sua opinião, por que a obra missionária está tendo cada vez menos apelo na Igreja Ocidental?

Em muitas igrejas, parece que há mais e mais pessoas indiferentes, ocupadas com suas próprias coisas, ganhando dinheiro, com todos os tipos de atividade na sociedade, ocupadas em cada aspecto de suas vidas. Existe talvez uma falta de responsabilidade em relação à divulgação do Evangelho. Além disso, como está o desenvolvimento e o ensino sobre a obra missionária dentro da Igreja? Em algumas igrejas, isso também está diminuindo. É mais fácil ter seu Deus pessoal e estar em sua própria zona de conforto. Assim, sente-se mais seguro. Seria egoísmo?

Quais os tipos de atividades que você desenvolve?

Eu viajo em prol da Igreja Perseguida. Primeiramente, para me encontrar com as pessoas que quero encorajar, cuidar delas, orar com elas e animá-las. Além disso, quero que a Igreja do mundo livre saiba que há outra parte do nosso corpo que sofre. Quero ser a sua voz uma vez que eles (a maioria) não são capazes de falar por si.

Pelo que você viu, o que pode dizer sobre a Igreja Evangélica brasileira e qual sua expectativa sobre os resultados de sua vinda ao Brasil?

Em primeiro lugar, eu e meu esposo (Ben) experimentamos muito calor humano e abertura dentro da Igreja Evangélica brasileira. Na maioria das igrejas, houve abertura para receber a mensagem da Igreja Perseguida. Através da mensagem, a ligação com a Igreja Perseguida foi feita ou renovada. Houve também uma conscientização da necessidade de oração e percepção de que a Igreja Perseguida é parte de nós. Como algumas mulheres me disseram: ‘Nós sabíamos que devíamos orar, mas agora sabemos que é essencial que haja mais oração por eles!’.

Didi Coman é casada com Ben e têm 3 filhos e 11 netos. Alguns anos depois de o casal ter se convertido, em julho de 1977, ambos foram convidados para trabalhar no ministério em tempo integral da Portas Abertas, sendo assim, já estão na organização há mais de 30 anos.

Ben Coman é irmão do presidente emérito da Portas Abertas Internacional. Ele envolveu-se com entrega de Bíblias, livros cristãos e outros materiais para a Igreja que se encontrava atrás da Cortina de Ferro, em especial a Romênia, por isso, muitos o chamavam de Sr. Romênia.

Fonte: Cristianismo Hoje

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Luciano Ferrari
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O livro mais mal-humorado da Bíblia

Olá Pessoal!

Estou de volta das férias com uma sugestão legal de um novo livro do Ed René Kivitz para vocês.

Sinopse

Uma sucessão de fatos sem sentido ou um conjunto de sentidos sem nenhum fato? Seria essa a vida que você deseja? Qual o tipo de vida que você tem vivido? Muitas pessoas passam anos de sua vida, senão toda ela, buscando um sentido para vivê-la. Alguns o encontram, outros não.

No mundo de hoje é fundamental que o ser humano reflita sobre o tipo de pessoa que é e o que está construindo. Eclesiastes é fruto das reflexões de Salomão, o qual – após viver de tudo e desfrutar de tudo, depois de alcançar o trono de Israel, poder e riquezas – conclui que a vida não passa de “vaidade”.

Ed René Kivitz investiga a mensagem deixada por Salomão em busca das respostas que a humanidade persegue desde os primórdios e com rara habilidade desvenda o nó da existência humana.

Em sua releitura de Eclesiastes, Kivitz nos mostra que é possível vencer os amargos obstáculos da vida e ultrapassar as barreiras do tédio, do utilitarismo, da morte, da injustiça, da religião, do dinheiro, da pretensão, do crime, da fatalidade, da insensatez, da luta pela sobrevivência, do tempo e da ausência de sentido.

Eclesiastes retrata a vida como ela é, suas facetas mais obscuras, sem floreios e amenizações. Ed René mostra que existe um sentido para nossa existência e permanência na Terra e revela como encontrar esse sentido tomando as decisões certas, atendo-se ao que realmente importa. Ele enfoca que, mesmo com tantas adversidades, a vida vale a pena ser vivida!

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Luciano Ferrari
http://simbolodopeixe.blogspot.com
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